Lia e o senhorzinho do metrô

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Hoje eu fui fazer uma entrevista de emprego em um edifício próximo à estação Faria Lima, em Pinheiros (isso não tem nada a ver com o foco do texto, mas eu fui muito bem na entrevista, obrigada). Depois da entrevista, voltei para o metrô e, enquanto eu guardava minha Nesfit de cacau e cereais na minha bolsa e me atrapalhava toda com o celular e uma pasta em uma mão e uma H2OH! em outra, uma senhora veio até mim e, com toda a simpatia possível e um jeitinho interiorano, me perguntou como ir à estação Luz. Instrui a senhorinha a descer as escadas e ela agradeceu. Quando eu já tinha conseguido guardar minhas coisas, desci as escadas e vi que ela estava pedindo informação novamente, para uma outra senhora, que deu as mesmas instruções que eu. Ao descer a escada, resolvi me oferecer para acompanhá-la, já que eu iria para a República, na mesma direção. Ela ficou toda aliviada e me agradeceu inúmeras vezes, além de me oferecer um bilhete de metrô, que eu, educadamente, recusei. Enquanto estávamos na plataforma, ela foi me contando um pouco da vida dela: ela saiu de São Paulo para morar em Campinas há 20 anos, mas não disse o porquê, por isso estava admirada com o quanto a cidade havia mudado. “O lugar onde tinha um mercadinho em que eu sempre fazia compras virou um prédio comercial enorme, você não tem noção!”. Quando ela foi para Campinas, sua filha de 1 ano de idade ficou aqui e, hoje em dia, faz faculdade e mora na Vila Mariana. Dava pra perceber o brilho que o olhar da senhorinha ganhou ao falar de sua filha. Ela estava toda vestida de preto, com dois colares no pescoço, um com um cristalzinho e um outro com a imagem de Nossa Senhora Aparecida, além de carregar um bolsa em um ombro e uma malinha na mão. Antes de descer, perguntei seu nome e ela deu um sorriso carismático, disse que se chamava Lia. Me apresentei, disse que foi um prazer ajudá-la e desejei boa sorte. Lia olhou em meus olhos, agradeceu novamente e me desejou bom dia. Enquanto eu fazia a baldeação da linha amarela para a linha vermelha, fiquei pensando em como retrataria a felicidade de ter ajudado a Lia em uma foto para o projeto 100 Happy Days.

Ao entrar no outro metrô, encostei em um canto próximo a porta e a um casal de velhinhos que conversavam alegremente. Sem perceber, comecei a prestar atenção no que eles conversavam. “Pra você ver como essa geração de cidade grande de hoje em dia tem vida agitada: as moças levantam às 5h da manhã para ir trabalhar, depois vão para a faculdade e, se tem filhos, chegam em casa e ainda vão cuidar da criança e das coisas de casa… e no outro dia fazem tudo de novo!”. A velhinha concordava e relembrava como eram as coisas em sua época, depois perguntou ao velhinho em que estação estavam. “Calma, ainda estamos na Anhangabaú, faltam 2 para a Sé!”. Nossos olhares se encontraram e eu sorri para ele, que devolveu o sorriso e começou a conversar comigo. “Você não concorda, querida?”. Fiz de conta que não tinha prestado atenção na conversa alheia e ele, todo simpático, repetiu toda a história sobre como estão as coisas hoje em dia. Concordei com ele e ele disse: “é, minha querida, mas tem que ser assim mesmo. Estuda bastante, viu? Tem gente que fala que não dá pra estudar e trabalhar ao mesmo tempo e depois, lá no futuro, se arrepende por achar que é tarde demais. Mas dá sim, viu? Nunca desista, tudo é possível!”. Agradeci o conselho e nos despedimos, já que o metrô tinha chegado a Sé.

Voltei para casa toda feliz por ter conhecido duas pessoas tão carismáticas. Com toda a agitação de São Paulo, nós acabamos perdendo alguns detalhes que podem deixar nosso dia mais bonito, seja por ajudar alguém ou simplesmente por conversar com um desconhecido. Nós só precisamos parar por um momento e olhar ao nosso redor. É simples.

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2 comentários sobre “Lia e o senhorzinho do metrô

  1. É incrível o como essas pessoas e esses atos nos fazem bem. As vezes eu fico sem saber como responder ou com vergonha mesmo, mas quando consigo conversar, é maravilhoso. Você cresce!! E eles estão SEMPRE ao nosso lado, basta sairmos um pouco do casulo.

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