Sobre crescer, entrevistas e meu primeiro emprego

Crescer, ah, crescer. Um verbo tão carregado de responsabilidades, coisas para fazer, gente que confia em você dizendo “eu sei que você consegue!” e medo. Muito. Medo.

2013 foi o meu “ano do medo”. Eu já sentia o peso da idade começando a pairar sobre as minhas costas, mas não no sentido de “estou ficando velha”, e sim de “estou crescendo e as coisas vão mudar”. Esse é o típico peso que vem acompanhado de outros sentimentos, como o famoso friozinho na barriga, a ansiedade. Mas como eu sempre digo, o tempo não para para esperar nós tomarmos a melhor decisão e nem volta se cometermos algum erro; ele não tem dó de ninguém e comigo não foi diferente. Prestei vestibulares, corri atrás de uma bolsa e entrei na faculdade. Mas o que mais me amedrontava ainda estava por vir: procurar emprego. Meus pais pagaram os meus primeiros meses de faculdade sem o menor problema, mas… Sabe quando isso te incomoda? A faculdade é algo que eu quero fazer por mim mesma. Quero chegar no 4º ano e pensar: “wow, estou aqui por mérito próprio!”. Não que se meus pais pagassem o mérito não seria meu, mas… não seria ~só meu~, entende? Queria esse sentimento de liberdade, de pagar minhas contas, de ser dona do meu nariz. Então eu tinha que enfrentar a coisa.

Fiz meu currículo,  o passei para alguns amigos para que eles deixassem onde eles trabalhavam, me inscrevi em um site de empregos e no dia seguinte eu já tinha uma entrevista marcada. “Puts” é a palavra que melhor define o que passava pela minha cabeça quando fui fazer a entrevista. A primeira entrevista de emprego é uma das coisas mais malditas que existem. Suas mãos ficam suadas, te dá uma ansiedade descomunal e ficam passando mil e uma perguntas idiotas que um entrevistador pode fazer, tipo “se você fosse um animal, qual seria?”. Isso tudo aconteceu comigo. Cheguei, preenchi uma ficha, fiz uma prova de inglês e esperei, esperei e esperei mais um pouco. Então chegou a hora. A entrevistadora fez umas perguntas bem normais, não foi nada demais. Ela já estava querendo me contratar, mas eu ainda não tinha tirado minha carteira de trabalho, então teria que voltar no dia seguinte. Não gostei do lugar e cheguei em casa bem desanimadinha. O salário era ok, mas… Sei lá, sabe? Então não voltei lá no dia seguinte.

As semanas passaram e nenhuma empresa me ligava. Tive diversos sentimentos, desde “ah, nem ligo” até “DROGA, DEVERIA TER ACEITADO AQUELE EMPREGO!”. Fiquei triste. Queria meu próprio dinheiro, mas o universo (e a merda do site de empregos) não conspirava a meu favor, então resolvi cancelar minha inscrição no site e tentar de outra maneira. Eis que, 5 dias depois, eu acordo às 10h da madrugada (madrugada sim… pelo menos para mim, que me acostumei a acordar depois das 12h, hehe) com o meu celular tocando. Pensei “ah, se for importante a pessoa liga de novo” e virei para o outro lado, mas o celular insistiu então eu atendi. Uma mocinha simpática perguntava se eu aceitava fazer uma entrevista para ser recepcionista bilíngue em um escritório de advocacia. Super topei e passei o dia inteiro super feliz e animada. No dia seguinte, eu estava tranquila, como uma pessoa que já havia passado por 1654514534684 entrevistas de emprego (e olha que eu só havia feito uma). Fui de boa, peguei o metrô de boa, fiz um lanchinho de boa e cheguei de boa. Sim, bem de boa mesmo. Era em um prédio comercial enorme e lindo, daqueles com vidros espelhados, uns mil elevadores e em que você tem que se registrar e andar com um cartãozinho de acesso. Ao chegar no escritório, fui recebida por outra mocinha simpática, a Michelle, que me levou até a salinha onde seria feita minha entrevista. Me ofereceu água e eu aceitei. Sentei em uma das cadeiras da salinha e esperei. Esperei. Esperei. Até que chegaram outras duas mocinhas simpáticas, a Ellen e a Ana, que fariam a entrevista comigo. Me senti super à vontade, respondi algumas perguntas e falei um pouco sobre mim. A entrevista acabou e parecia que elas haviam gostado de mim, então fui para casa, toda sorridente, esperar uma resposta do escritório, já que haviam outras pessoas que queriam o cargo. Foi aí que eu conheci a Lia e o senhorzinho do metrô.

Me ligaram no dia seguinte (ou no mesmo dia… não lembro mais) para uma segunda entrevista, para que eu conhecesse os sócios do escritório. Aconteceu a mesma coisa. Fui de boa, peguei o metrô de boa, fiz um lanchinho de boa e cheguei ao escritório… de boa. Aí a Michelle me recebeu novamente e me levou para uma outra sala, onde, 15 minutos depois, eu respondia várias perguntas de umas 4 pessoas. Eles também pareciam ter gostado de mim, então, mais uma vez, voltei para casa com um sorriso no rosto. No dia seguinte me ligaram, queriam me contratar. Cara, queriam me contratar… WOW. Foi uma das vezes em que me senti mais feliz e orgulhosa de mim na vida. Fiz o exame admissional, voltei lá, deixei minha carteira de trabalho e comecei a trabalhar na segunda-feira seguinte. Eu iria trabalhar ao lado da Michelle, a mocinha simpática da qual eu falei lá em cima. No meu lado da mesa havia um bilhetinho fofo de boas-vindas e um Sonho de Valsa; ela me ensinou tudo o que eu precisava saber e assim foi meu primeiro dia.

Aqui estou eu, agora, a um mês e duas semanas trabalhando em um prédio comercial enorme e lindo, daqueles com vidros espelhados, uns mil elevadores, em que você tem que se registrar e andar com um cartãozinho de acesso e que fica em uma rua com uns 5346524168441 restaurantes; em um escritório cheio de mocinhas simpáticas (uma é uma das pessoas de coração mais puro que eu já conheci, toda fofa; outra é engraçadinha, faz tsurus e dá uma de mãe, dizendo que eu tenho que almoçar comida mais saudável, mas que me levou no Burger King há algumas semanas; outra é a pessoa que mais me ajudou nessa nova fase, leu milhares de listas engraçadas do BuzzFeed comigo e, juntas, tivemos vários ataques de riso constrangedores), para as quais eu dedico esse post e advogados (uns mais sérios, outros mais engraçadinhos, mas todos super educados e, da maneira deles, simpáticos). Já mudei de função e agora ajudo uma das mocinhas simpáticas que me entrevistaram, a Ana, mas sempre dou uma passadinha do outro lado do escritório para ver as mocinhas simpáticas com as quais trabalhei por um mês.

E eu estou feliz. Muito feliz. E de boa.

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