Sobre o Metrô, gente que não sabe se portar dentro dele e o vagão preferencial

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O que me cansa, no meu dia-a-dia, não é meu trabalho. Não é a faculdade. Não é minha casa.

É. O. Metrô.

Se você nunca andou de metrô, sorte a sua. Admito que é a forma mais rápida de se locomover pela cidade (afinal, como eu sempre digo: tudo é perto quando se vai de metrô), porém ele me cansa, suga a alegria do meu dia e também a minha disposição. Chegamos a conclusão de que o problema não é o metrô em si (nem sempre, na verdade) e sim quem dele faz uso: a população.

Ontem, enquanto eu estava no metrô, vim fazendo uma lista mental de tudo o que me irrita quando eu estou nele e cheguei a estes tópicos:

– as pessoas que estão lá e suas inúmeras manias;

– quando o maquinista decide frear bruscamente;

– o vagão preferencial, em geral;

 

É engraçado (rir pra não chorar, sempre) como as pessoas ficam irracionais depois que passam pela catraca do metrô. Quando eu digo que elas me irritam profundamente é por algumas manias que elas resolvem ter ao andar em transporte coletivo, como empurrar todo mundo como se aquele fosse o último metrô do dia (mas ninguém faz isso nem para pegar o último metrô do dia), mas não estou falando simplesmente de empurrar (afinal isso é uma coisa que somos obrigados a aceitar… vou falar disso daqui a pouco) e sim de se apropriar do direito de acotovelar e machucar todo mundo e decidir se você vai naquele metrô ou não só porque elas querem ir. Pedir licença? Isso é um luxo, até dói. Mas tem uma vírgula aí: uma coisa é você estar no cantinho, sem atrapalhar o caminho de ninguém, e ser levado pelo fluxo de passageiros mal-educados e outra bem diferente é você ser o idiota que fica lá na frente da porta, sem entrar ou dar licença para quem quer entrar. Vontade de jogar na linha do trem? Não falta.

Mas aí surgem outros problemas quando você já está dentro do vagão, principalmente se ele estiver cheio, porque aí, meu amigo… Aí que o bagulho fica louco. Quando o vagão está cheio, as pessoas tendem a achar que não precisam segurar porque tem um monte de gente em volta (se não dá nem pra entrar mais gente, como vai dar pra se mexer, né? rsrsrs ¬¬) e resolvem se encostar nos outros… E essa é a coisa que mais me dá raiva, ainda mais quando eu não consigo ir para o corredor e tenho que ficar ali no meio, onde você não tem o menor poder de decisão para ir ou vir, lugar que mais parece um buraco negro.

Estou eu lá, me segurando no ferro que fica no teto, sob um ar condicionado que mal funcionava, já irritada com o calor infernal daquele ambiente. Eis que eu sinto uma mulher encostada em mim. Ok. Começou. Resolvi me encolher um pouco para que ela se tocasse e ela se tocou… temporariamente. A desgraçada está lá, mexendo no celular e o segurando com as duas mãos e a bolsa no braço, como se não houvesse amanhã, já que a idiota aqui estava a segurando. Aí o maquinista deu uma freadinha e, lógico, ela se jogou em cima de mim. Pedir desculpas? É, como eu disse anteriormente, usuários do metrô não fazem isso. Mas tudo bem, a vingança seria doce. Algumas estações depois, o metrô andava normalmente, até que eu percebi que o metrô ia frear, ou seja: chegou a hora. Fui para frente na hora certa e, quando o maquinista freou bruscamente (DESSA vez não me irritei, mas isso geralmente me irrita, já que parece que o maquinista sente-se como quem conduz um carro de bois), a desgraçada praticamente voou e algumas pessoas foram junto com ela. Pode parecer hostil, mas não sou obrigada a segurar ninguém já que eu mal consigo ME segurar. Licença, né?

Parece uma micareta, mas é só uma estação da linha vermelha do Metrô de São Paulo.

Também encontramos outros tipos de gente no metrô lotado: os que precisam descer em uma estação, ficam sentados, só resolvem levantar quando o metrô para e ainda ficam nervosinhos se não conseguem sair; os que fedem (dispensam explicação ou maiores comentários); quando estou sentada e a mulher que está em pé, na minha frente, praticamente esfrega a bolsa no meu rosto, como quem pede desesperadamente para a segurarem (aí que eu não seguro meeeesmo…); as mulheres que estão grávidas há duas semanas e te olham feio para você sair do banco preferencial para ela sentar (afinal, #SomosTodosVidentes); a velha (que fique clara aqui a diferença entre velha, a tiazinha que abre mão da educação devido a sua idade, e idosa, a vovozinha fofa) que se sente ofendida se você oferece seu lugar para ela; a mulher que fica mexendo o cabelo toda hora e aquilo sempre entra no seu olho; gente que leva criança pequena no metrô, em horário em pico, só pra ir sentada; gente que grita no celular para que o vagão inteiro ouça a conversa; os que curtem ouvir música sem fones de ouvido (estima pelo próprio gosto musical é uma coisa, agora falta de noção é outra totalmente diferente); os inconsequentes, que são as únicas pessoas atrasadas do mundo e fazem de tudo para entrar no metrô (“tô atrasado”, “também tenho que chegar no trabalho” e “sai da frente” são frases típicas); gente que segura na sua mão ao invés de segurar nos ferrinhos; e por aí vai.

Algo que me incomoda MUITO é o vagão preferencial. Na verdade, de manhã não tem vagão preferencial na linha em que eu pego o Metrô, só duas portas do primeiro vagão são de acesso preferencial, o que, na verdade, não ajuda em nada, já que as pessoas acabam entrando pelas outras duas portas que o vagão tem e o que era para ser menos cheio fica tão lotado quanto os outros. Mas tem um agravante: esse vagão é o pior de todos. É onde você vê velhas empurrando todo mundo com uma força vinda do além, diversas discussões inúteis de todos os tipos, jovens sem noção que não cedem o lugar para idosos, as mesmas gestantes de duas semanas das quais eu já falei lá em cima (porém mais frescas), gente que finge dormir no assento preferencial, velhas que se apoiam em você sem nem pedir (já deixei idosas se apoiarem em mim sem pedirem, mas as velhas são outra história) etc..

Outras coisas aleatórias que me irritam nesse maravilhoso meio de transporte: sentar em lugar quente (eu sei que eu deveria ficar feliz por sentar, mas eu me irrito com o que eu quiser), colocar a mão nos ferrinhos quando alguém acabou de tirar (e está quente –‘), a incrível transformação de personalidade das pessoas que eram selvagens na linha vermelha e parecem ladies and gentlemen na linha amarela (vejo isso TODOS os dias na República), estar pertinho do limite da plataforma e ser quase empurrada contra um trem vazio que está quase parando devido a ansiedade das pessoas para conseguirem um lugar (passo por isso TODOS os dias na República), gente trocando a posição do pé toda hora e, consequentemente, pisando no meu, entre outras irritações cotidianas.

A verdade é que eu reclamo muito, mas não tenho outra forma de ir para o trabalho ou para a faculdade: o Metrô é minha realidade, é meu destino, não tem jeito. Então se você estava pensando “os incomodados que se mudem”, sinto muito, meu amigo.

Certas regras da vida não se aplicam ao Metrô.

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6 comentários sobre “Sobre o Metrô, gente que não sabe se portar dentro dele e o vagão preferencial

  1. Eu tambem pegava a linha vermelha pela republica.Na consolacao as pessoas tinha um pouco de civilidade, mas bastava ouvir a palavra Republica, todo mundo virava um animal decendo aquelas escadas. Só piorava quando algum trem vinha vazio da barra funda. Compartilho do mesmo odio.

    • Exato. Não sei o que acontece nessas baldeações. Não sei se o ar muda de uma plataforma para a outra, mas parece que algo muito sinistro acontecem para a personalidade desses usuários se transformar, hahaha.

  2. No meu caso é o ônibus, e tudo isso acontece também!
    Uma vez entrou gritando, ” ai minha osteoporose, não consigo ficam nem em pé” e ele entrou por trás e eu estava lá atrás, ela começou a me encarar e eu me levantei!
    E outra vez uma menina que se apoiava em mim quase caiu, pois eu mudei de posição e o ônibus freou, confesso que me segurei para não rir!
    Muito bom o post!
    Beijos!

    http://opiniao—propria.blogspot.com.br/

  3. HAHAHAHA. Morri com a parte sobre sair da republica ( L3 ) e ir para a L4. Vejo isso constantemente kkkk.
    Mas o que você disse, realmente é verdade. Achei estranho a parte que fala sobre as pessoas segurarem -sua mao- ao invés do ferro. (?)

    • É complicadíssima a transição de personalidade que os usuários do metrô sofrem nessa baldeação. HAHAHAHA
      Sabe quando não tem espaço no ferrinho para que as pessoas segurem e aí vem um idiota e segura na sua mão? Fico putíssima da vida com isso, hahaha. Vai saber onde a pessoa passou a mão?

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