Sobre minha primeira demissão, aprendizados e minhas 3 irmãs mais velhas

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Obra de art, by Ellen Santos.

Quem acompanha o HLH sabe como eu vivi intensamente meu primeiro emprego (até postei sobre isso AQUI). Chorei, sorri, fiquei irritada, cansada, tive crises de riso, conheci pessoas como a Lia e o senhorzinho do metrô e também o tiozinho dos relógios descartáveis. Foi incrível.

Quem me segue nas redes sociais e viu a quantidade de coisas que eu postei sobre minha demissão pode até pensar que foi um exagero da minha parte, que isso acontece com todo mundo e blá blá blá. Não é bem assim, buddy. Temos dois agravantes nesse caso:

1) era o meu primeiro emprego;

2) eu sou uma pessoa muito intensa e sensível… Choro muito, sorrio muito, amo muito etc..

Meu primeiro emprego deixou marcas em mim e me ensinou muitas coisas. Aprendi que tem hora em que devemos abaixar a cabeça e ouvir os outros, que empregos não são tão assustadores quanto eu pensava, que pode-se sim fazer amigos no trabalho e, principalmente, que eu devo beber 2l de água todos os dias. Aprendi com minhas três irmãs mais velhas, as meninas com quem eu trabalhei e às quais eu me apeguei demais, coisas que dinheiro nenhum paga. Passei por momentos de raiva intensa por ficar sobrecarregada, mas elas sempre estavam lá para aliviar as coisas e deixar minha mente mais leve. Uma delas me ensinou tudo o que eu precisava saber no início, deu a maior força do mundo para um bebê de 18 anos que estava completamente assustado com esse negócio de ser gente grande, leu muitas listas do Buzzfeed comigo, teve os maiores ataques de riso do mundo, comeu besteirinhas comigo nos lanchinhos da tarde e me aguentou ferozmente. Outra era minha quase-mãe, que tentava me proibir de comer lanches no horário do almoço (mas que foi comigo no Burger King na primeira oportunidade que apareceu), falava comigo sobre filmes e livros, me fez ler a lista de compras para sua futura casa para lembrar o que estava faltando, dizia o tempo todo o quanto eu sou chata, almoçava comigo, me fez um tsuru lindo (e era a mestra do origami), me obrigava a beber água, tinha amigos imaginários que assombravam o escritório e os desenhava (é sério, hahaha). Outra era a melhor companhia do mundo para ir ao banco/correios, era super doce, tinha o coração mais puro do mundo, era super dedicada e esforçada, estava sempre querendo aprender coisas novas, tinha uma dilema sobre qual faculdade escolher e sempre que passava por mim pegava no meu cabelo ou cantava uma música das Chiquititas (Sara, sara, coração ♪). Além do meu trabalho, fiz horas extras sendo professora de inglês de duas delas nas horas vagas.

É extremamente complicado ser demitida sem ter feito nada errado. É como se um namorado chegasse para terminar o relacionamento e dissesse: “não é você, sou eu”. Você sente que a culpa é sua de qualquer jeito. Pelo menos eu me senti assim: como se meus esforços, dedicação, vontade, perfeccionismo etc. não tivessem sido bons o bastante. Longe de mim achar que eu era a melhor funcionária ever, mas a pior eu com certeza não fui. E isso doeu. Também doeu ter que levar embora todas as coisinhas que enfeitavam minha mesa coloridinha. Doeu ter que abandonar minhas meninas simpáticas. Doeu pensar que eu não ia mais entrar naquele prédio comercial enorme e lindo, daqueles com vidros espelhados, uns mil elevadores e em que você tem que se registrar e andar com um cartãozinho de acesso. Doeu lembrar do meu primeiro dia, em que aquela vegetariana engraçadinha que nem me conhecia deixou uma bilhetinho de boas-vindas com um Sonho de Valsa do meu lado da mesa, sem nem saber que era meu chocolate favorito. Doeu pensar que eu não ia trabalhar mais naquela rua com uns 5346524168441 restaurantes. Doeu.

Mas como eu disse para o meu ex-chefe enquanto me debulhava em lágrimas na frente dele, essa é a vida.

Mesmo não acreditando em divindades ou qualquer coisa que meus sentidos não alcance (nem o 6º), acredito que tudo acontece por algum motivo e isso me conforta, de certo modo. Tinha que ser assim e eu já sinto que algo melhor está por vir, afinal: quando uma porta se fecha, janelas se abrem. Somente um progresso calmo e constante, livre de precipitações, conduz ao objetivo. Acho que estou pegando o jeito desse negócio de ser otimista, ou pelo menos tentar, hahaha.

Bom, fiz esse post só para encerrar um ciclo e mostrar o quão agradecida eu sou a todos que me apoiaram, que me deram força nos momentos em que eu queria chutar o pau da barraca e, principalmente, as minhas meninas. Não tem palavras no mundo que possam expressar isso e o máximo que eu posso fazer é dizer:

MUITO obrigada. ❤

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6 comentários sobre “Sobre minha primeira demissão, aprendizados e minhas 3 irmãs mais velhas

  1. Mesmo sem te conhecer pessoalmente imaginei que você fosse chorar horrores por essa demissão, nem comentei nada no seu facebook porque eu estava passando por uma situação parecida: eu sentia que iria ser demitida e fui, na segunda, 03.. Mas é isso mesmo. Fiquei triste por você pois acompanhei, de longe, a sua felicidade com seu trabalho e com seu primeiro atendimento telefônico em inglês. Rs. Hoje, lendo esse post e lembrando da minha demissão de 2 dias atrás, gostaria que tivesse sido ao menos perto do que foi a sua, que eu tivesse ao menos do que sentir saudade. Ainda sinto saudades de uma empresa que eu trabalhei há uns 2anos e essa, apesar de ter doído demais, eu jamais esquecerei. Espero que você consiga um segundo trabalho em breve.. Assim como eu vou conseguir também e que a gente possa viver momentos que mereçam ser guardados como foram os momentos que vivemos nesses lugares especiais em que trabalhamos. Bjus.

    • Cynthia, eu nem imaginava isso. :O
      Olha, eu chorei muito, viu. Acordei com os olhos tão inchados que parecia terçol, ainda bem que eu não tinha que ir trabalhar, HAHAHA. O único ponto positivo foi que agora eu tenho tempo para fazer algumas coisas que eu não podia antes, tipo estudar direitinho para as minhas provas semestrais da faculdade e elaborar posts pro blog. Vou sentir muita falta daquele lugar e de algumas daquelas pessoas.
      Boa sorte para nós, nossas janelas se abrirão! 😉
      Obrigada pelas palavras. ❤

      • =) aproveita enquanto você pode ter esse tempo, porque depois que fica complicado, do jeito que o “tiozinho do metrô” te falou, a gente passa a sentir uma tensão muito grande, completamente diferente do alívio de ter esse tempinho extra para estudar e fazer outras coisas. Aí sim, uma demissão passa a ter um peso muito maior. Desejo que você nunca precise passar por isso, é muito ruim. Boa sorte. Bjão e boas provas =)

  2. Percebo o quão difícil deve ser deixar algo que nos trouxe bons momentos.
    Talvez seja nova demais para falar, mas eu sei a realidade das coisas. Sei que já vivi momentos negativos para mim, mas guardei apenas para mim. Dizem que a melhor maneira de ultrapassarmos algo é engolindo o choro e continuar a Vida.
    Mais chances virão. Fácil de falar, mas difícil de acreditar. Não podemos esperar que nesse exato momento venha uma oportunidade dos Céus.
    Força, Sara! Nós estaremos aqui para ouvir todos os seus choros, alegrias…
    Besos, Pretty!

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