“Sei lá” define

 

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Hoje me deu vontade abrir um aba no WordPress e escrever tudo o que passasse pela minha cabeça sem pensar muito.

Em março, arrumei um novo emprego. Ele não parecia muito promissor no começo, mas depois de 3 meses, estou percebendo o quanto posso aprender e o quanto está sendo gostoso ter gente confiando na forma como eu faço as coisas, me dando sinal verde para isso. Tenho uma chefe inspiradora (uma daquelas pessoas “pau-pra-toda-obra”, que resolvem qualquer treta e agem com a praticidade que eu queria ter, sabe?), uma companheira de trabalho cheia de luz  que me motiva, me aguenta nos meus “dias cus” e me mima quando possível, e liberdade para trabalhar da forma como eu quero. Estou envolvida, pensando em coisas novas e vejo um mar de oportunidades nisso.

Meu namoro está melhor do que jamais esteve. Olho para esse ser humano que tenho a felicidade de chamar de namorado e vejo a pessoa com quem eu quero passar o resto da minha vida. As borboletas no estômago, o brilho no olhar e a vontade de estar perto voltaram e eu não poderia estar mais feliz.

O TCC, apesar de cansativo, está fluindo da melhor forma possível. Apesar dos problemas de estrutura da faculdade, as coisas estão dando certo para nós na medida do possível. Criamos dois documentários de rádio diferentões, um programa de rádio ao vivo maravilhoso, um programa de TV de cair o queixo e desenvolvemos um dos documentários mais lindos que eu já vi na vida (modéstia à parte). Nisso tudo, estou sempre enfiada em tudo o que envolve arte, desenho, fotografia, cenografia, maquiagem, figurino, redes sociais e tenho uma leve impressão de que isso diz muito sobre mim.

Falando em arte, depois de escrever tudo isso, percebo que minha inspiração voltou. Só consigo pensar em fotografar, criar, colocar as mãos em tinta, montar colagens, ouvir música, deixar essa parte de mim que por meses ficou fora do meu corpo finalmente voltar e fazer com que eu volte a ser quem eu era. Por meses eu não fui essa pessoa. Por meses eu estive seca por dentro, ou pelo menos menos motivada do que a média universal. Muita informação entrava e pouca produção saia. Agora eu consigo sentir tudo isso voltando.

Meu irmão se casou e agora eu, finalmente, consigo dizer com toda a sinceridade do mundo o quanto estou feliz por ele e por todas as conquistas que ele já atingiu e vai atingir. O vazio que eu sentia no começo por não vê-lo mais no mesmo quarto todos os dias na hora de dormir está sendo preenchido por outras coisas e eu descobri o quanto é sensacional sentir saudade dele todos os dias. Parece que a ligação só aumentou. Mesmo que seja triste chegar em casa querendo contar coisas que me fizeram lembrar dele durante o dia e não tê-lo aqui para me ouvir, acho que tá tudo bem. Mais assunto para quando nos vermos na próxima vez.

Viajei para Minas Gerais, passei o Natal com os meus pais depois depois de muito tempo passando aqui e ali e vi uma parte da minha família que eu não visitava há 4 anos. Saltei de paraquedas e tive a melhor sensação da minha vida (45 segundos de queda livre = best thing ever). Fiz um curso de Moda (voltado para modelagem) durante dois meses e consegui modelar, cortar e costurar minhas primeiras peças: uma camiseta dos Strokes, 3 camisetinhas básicas (preta, branca e cinza, of course) e a melhor calça de moletom que já usei na vida. Ganhei um coturno lindo. Colecionei sorrisos durante um dia. Coloquei o papo em dia com uma tia maravilhosa e inspiradora que eu não via há tempos. Conheci pessoas. Conheci o André Pilli, um dos meus ídolos no meio audiovisual. Fui madrinha de casamento pela primeira vez na vida. Mal levei caderno para a faculdade nesse semestre (juro que mal tivemos matéria, mas isso é incomum para mim). Tomei o milkshake de Sonho de Valsa e descobri que ele é o melhor do mundo. Resolvi problemas bancários e percebi que tô na vida adulta real oficial. Tenho uma suculenta chamada Julieta. Ganhei um buquê de girassóis enorme. Fiz uma vinheta de abertura com o logo da minha produtora da faculdade sem sequer ter feito isso antes. Tirei meu DRT de Assistente de Produção e agora sou uma radialista adultinha. Comprei calças de cores diferentes (é caramelo e verde militar, cores presentes na “minha paleta”, mas para quem só usa calça preta, já é um grande passo). Reformei meu bullet journal (mais uma vez). Entendi que é definitivo: me expresso melhor escrevendo do que falando, mesmo sendo uma pessoa cheia de parênteses. Percebo mais e mais o quanto tô rodeada de gente que me ensina coisas todos os dias sobre os mais diversos assuntos e o quanto eu me sinto amada nesse exato momento. Aprendi que o que importa é tentar, sempre. Mais uma vez a frase “if you never try, you’ll never know” faz todo o sentido do mundo. Acho que vou tatuá-la qualquer dia desses junto com “what goes around, always comes all the way back around”, e talvez “meant to be” também, inclusive. Quem sabe, né? Ou não? Enfim.

Sei que esse texto não faz sentido nenhum, mas eu não disse que era pra fazer. Eu não faço o menor sentido (principalmente depois de meses sem saber quem eu sou e o que eu quero, com uma confusão interna que moveria guerras) então faz sentido isso vir de mim. Isso é apenas eu fazendo algo que há muito tempo eu não conseguia fazer: deixar as coisas fluírem. Aliás, estou escrevendo tudo isso ouvindo Two Door Cinema Club e eu não sei porque eu quis dizer isso, mas eu disse (não contei para você, mas eu fui no Lollapalooza em março e ainda tô surtada com meu amor por essa banda e Strokes, of course; é incrível passar anos ouvindo músicas e, em um belo dia, ouví-las ao vivo). Funny fact: eu estava tão desesperada para escrever que quase postei isso no site do meu trabalho, só percebendo que tinha coisa errada quando fui categorizar o post e as categorias eram “Gestão”, “Carreira” e afins.

Eu senti falta de todo esse lance de apenas deixar as coisas acontecerem, algo que sempre tentei levar como lema de vida, e nesse exato momento tô me sentindo extremamente aliviada e sem peso nas costas. Hoje eu acordei querendo revolucionar meu mundo, renovar minhas energias, fazer coisas novas e reorganizar toda essa bagunça que está dentro de mim e eu não conseguia/sabia direcionar.

Agora eu acho que sei.

Ou talvez não.

E tá tudo bem.

 

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Sobre uma campanha de mau gosto, Paralimpíadas e representatividade

Muito se fala sobre representatividade atualmente, mas esse termo muitas vezes é levado como algo de esquerda, feminista, pão com mortadela ou sei lá mais o que costumam falar por aí, então muita gente simplesmente ignora, sem refletir sobre o que isso significa.

Representatividade é o que faltou na peça publicitária feita para uma certa revista por uma certa agência. Os Jogos Paralímpicos estão aí e de todas as formas possíveis para homenagear um momento tão importante para o esporte, para os atletas e para o país, essa foi a escolhida: uma montagem com o rosto de famosos no corpo de atletas paralímpicos. Gente. G E N T E. Sério. Sério?

Reaction GIF: eye roll, are you kidding me?, despair, Krysten Ritter, Don't Trust the B---- in Apartment 23

O que me confortou um pouco foi ver a repercussão negativa que isso gerou nas redes sociais e o quão pasmas as pessoas estão por ter visto algo de tamanho mau gosto (mas agora imagina se as pessoas descobrissem que isso acontece com negros, gordos o tempo todo… imagine all the ‘pipou’?). Com tantos atletas, atores, modelos portadores de deficiências, a única opção realmente era o rosto de gente famosa? Por que? Por que é mais rentável? Por que é mais “bonito”? Por que é o padrão? Juro que isso até pode ser explicável, mas nunca vai fazer sentido na minha cabeça. Não preciso nem falar sobre a decepção que tive ao ver uma atriz que eu gosto tanto se submetendo a isso. Rolou uma mancada geral em todos os aspectos possíveis disso. Acho que a pessoa que aprovou a campanha não deve estar muito feliz no momento.

Espero que isso abra os olhos das pessoas para o que a representatividade realmente significa e o quão importante é. Espero que as pessoas entendam que essa sensação é a mesma que uma criança negra tem quando não vê nas prateleiras de uma loja um boneco(a) que a represente, a mesma sensação que uma pessoa gorda tem por viver em um mundo cheio de padrões estéticos e a mesma sensação que um/uma LGBT tem quando só vê que campanhas hétero no dia dos namorados/pais/mães. Espero que vejam que não é legal, não é bonito, não é vendável e que REPRESENTATIVADE IMPORTA SIM.

Não vou e nem sou obrigada a colocar aquela imagem no meu blog. Quem quiser ver a  peça e a matéria, pode clicar NESSE LINK ou em qualquer um dos 634541374 links que eu tenho certeza que estão rolando na sua timeline criticando isso tudo.

Seguem anexas mais imagens que definem meu atual estado de espírito:

Reaction GIF: eye roll, are you kidding me?, Daniel Radcliffe, Harry Potter

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Reaction GIF: despair, eye roll, Robert Downey Jr.

Everybody is singing the same song for 10 years…

Esse texto é apenas um desabafo que talvez não deveria nem ser postado por motivos de vergonha alheia, só pra constar.

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Quem acompanha o blog ou me conhece, sabe bem sobre a fissura que eu tenho numa bandinha novaiorquina formada em 1998 por uns caras meio loucos (um brasileiro, inclusive) que transformaram o indie rock e serviram de inspiração para muito marmanjo por aí. Conheci os caras na MTV, só para você ter um parâmetro do que eu tô falando. Em 2012, época em que eu ainda tinha certeza de que iria casar com o vocalista (eu tinha 16 anos, gente, dá um tempo), um cara que hoje em dia tem uma famigerada pança de pai de família e umas bochechas enormes (além das mudanças capilares de gosto duvidoso), fiz um post sobre eles (que, aliás, precisa ser editado, já que algumas fotos e vídeos não aparecem mais).

Hoje eu acordei com uma das melhores notícias do ano: eles vem para o Lollapalooza 2017.

UAU. MINHA NOSSA. SOCORRO. ALGUÉM ME AJUDA.EU TÔ TREMENDO, ROSANA.

Gritei. Dancei. Surtei. Corri pela casa com um sorriso no rosto, antes mesmo de escovar os dentes/tomar banho, como se não houvesse amanhã. Tomei um café da manhã maravilhoso (teve tapioca, cereal, café recém-coado…), reboquei meu rosto feliz, e na hora de me vestir, nada seria mais apropriado que minha camiseta dos Strokes velha de guerra. Ostentei essa camiseta e um sorriso enorme no rosto de casa de forma radiante até o trabalho, da mesma maneira como um torcedor orgulhoso de seu time andaria com a camisa.

Somada às outras felicidades da minha vida, eu venho aqui escrever esse textinho, que pode até ser meio bobo para que não entende o que eu tô sentindo, para registrar essa minha vontade de fã que nunca viu sua banda ao vivo (e que nunca sabe o que/quando esperar algo dela) de bater no peito, encher o pulmão de ar e soltar um grito estrondoso:

EU FINALMENTE VOU VER MEU STROKES, PORRA!

Era só isso.

Obrigada.